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O Samba fica logo ali…

Domingo, 19 de julho de 2009. Não, isso não é uma carta. Apenas para registrar o que o Ocenosamba pretende fazer: sentir o ambiente da arte, sentir as pessoas que fazem a arte. Esta foi a tarefa que me dei num domingo aparentemente morto, sem muitos atrativos.

 

Conhecem o bairro São Marcos? Próximo à avenida José Cândido da Silveira, caminho para Sabará, relíquia história. Neste lugar com cara de periferia, por ficar entre bairros considerados nobres, como Cidade Nova e Silveira, há o fino do samba em BH. Chama-se Quintal da Divina Luz.

 

 

O Quintal  sempre recebe sambistas da mais alta classe como Dona Jandira e Geraldo Magnata
Não é um templo, com acomodações confortáveis, lugares marcados. É uma casa cujo dono,  Serginho, cede o espaço para tocar o projeto “Eu toco Samba” em seu terreno. São pelo menos 10 músicos que praticam o que não se vê no circuito zona sul da capital.  Uma verdadeira manifestação cultural com ambiente verdadeiramente aconchegante para quem vê na periferia um lugar inóspito, violento e sem qualquer charme. Que engano!
Todos os que lá estão querem ouvir a música de compositores e mestres do samba mineiro que nem sequer nos damos ao trabalho de conhecer, por mera preguiça  e preconceito. Coisas de nossa mente pautada por grandes hits de massa que jogam em nossas vidas como as grandes  produções milionárias de cinema, música e tudo que for uma mega marca para ser vendida.
Quando saí de lá do Quintal, na rua Maria Aparecida, coração do  São Marcos, de volta à minha casa, percebi que não posso, de forma alguma, como colaborador desta empreitada, abdicar de conhecer e entender qualquer manifestação cultural que visa à união e à coisa mais banal e importante do mundo: interação humana.
Fica meu convite, não só a conhecer o Quintal da Divina Luz, o Serginho, o Mestre Affonso (que já dirigiu a Mangueira, no Rio), mas também ver todas as formas de produção de Samba que este blog tentará  cobrir na sua longa caminhada de aprendizado. Deem uma olhada no blog do projeto do Quintal. http://projetoeucantosamba.blogspot.com/ .
Caro leitor, seja muito bem-vindo a esta odisseia multicultural que decidimos encarar e veja um pouco do que rola neste belo espaço de Samba da capital mineira.  Abraço.

 

*A ideia de adaptar o conteúdo é identificar a essência da nossa proposta ao leitor deste blog, daí a descrição de um lugar que sempre está em nossa agenda semanal.

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Samba mora onde a coruja dorme

A dica da semana do Ocê no Samba é um filme sobre o mais célebre dos malandros. No curta-metragem “Coruja”, com 15 minutos de duração, Bezerra da Silva mostra como era buscar os sambas no alto do morro, onde a coruja dorme. Os diretores Márcia Derraik e Simplício Neto apresentam alguns dos compositores que popularizaram seus sambas através da voz do malandro-mor. “O compositor do morro diz cantando o que ele queria dizer falando. E eu sou o porta-voz”, diz Bezerra da Silva no curta.

 

Mais do que as mentes criativas por trás dos sambas, Coruja apresenta também as temáticas. Ótima oportunidade para conhecer o típico malandro e algumas gírias desse personagem tão inserido no samba. Em Coruja, a malandragem definitivamente não dá um tempo. Bezerra e seus compositores exigem o lugar de direito do malandro e fazem questão de ressaltar: malandro não é bandido, mas é um sujeito inteligente. Tudo na linguagem do morro, cheia de gírias, que abraça o cotidiano e melhor: regada a muito samba gostoso. Como não sou caguete não vou dar mais detalhes, afinal de conta o documentário tem só 15 minutos. Assista, está disponível de graça no portal curtas da petrobrás.
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Estúdio B – Casa dos bambas nas sextas

Perdoem-nos o trocadilho, mas o Estúdio B é um estabelecimento classe “A”. Não se trata de uma casa de samba ao pé da letra, afinal a proposta do Estúdio é bem mais ampla que fazer ecoar o som dos batuques mineiros. Contudo, no dia que se propõe a ser roda não deixa a desejar. O dia dos bambas neste espaço é a sexta feira, dia em que o “Samba come Solto”. Por lá se apresentam nomes promissores do samba mineiro, tais como Doris, Dona Jandira, Capim Seco, Projeto Saravá, Chutorlando, entre outros. Todas que já vimos tomar conta do palco no Estúdio B realmente agradaram nossos ouvidos. E olha que de lá temos bagagem para falar. Não que sejamos especialistas incontestáveis, mas foram muitas as cervejas que tomamos ao som de vários bons sambinhas.
Como nosso negócio é samba, não vamos entrar muito no mérito das outras atrações do Estúdio. Mas é bom dizer que o “B” é agregado ao nome justamente porque o estabelecimento dá espaço aos artistas que tem projetos diferentes, até àqueles que não encontram tanto espaço em outros palcos BH afora. Isso acontece no samba, mas também no rock e outros estilos. Quando é dia de roda, então, o pessoal do Estúdio B tenta apresentar quem faz um trabalho de primeira, como explica Maria Eugênia Andrades Dornellas, produtora cultural Estúdio B. “A gente busca sons brasileiros, a ideia no samba é sempre colocar um som bem mais raiz. Damos espaços às bandas que fazem um trabalho legal com o samba”. Eugênia destaca também que a noite não vale só para dar uma sambadinha, uma curtida e ir embora. A intenção do Estúdio é que o público belorizontino realmente se identifique com as bandas das Minas. “A gente não pensa só na balada, valorizamos a arte e a cultura. Aqui a galera aplaude, presta atenção na banda, fica mais perto do artista. A ideia é valorizar o artista, não é ficar sambando de costas. Eu diminuo a luz da casa e aumento o palco. O samba é um ritmo que tem que ser apreciado em toda sua plenitude”.

 

De fato, o Estúdio B proporciona um clima muito legal aos visitantes. O palco, apesar de pequeno, dá visibilidade ao artista e proporcina uma conexão legal com o público. A casa tem dois andares. No primeiro há um espaço onde é possível fugir da música, descansar um pouco e bater um bom papo. Na parte de cima o samba realmente come solto e na sexta-feira geralmente a casa lota. O Estúdio B tem capacidade para cerca de 300 pessoas e o preço da entrada por lá fica por volta dos R$15, mas é possível pagar a consumação sem entrada, que custa R$40. Quem chega cedo consegue uma mesinha aconchegante, mas em dia de movimento o atrasado vai passar a noite em pé. No cardápio os destaques são o lombo tropical com abacaxi, o frango grelhado, vários sanduiches, além do salmão com molho de maracujá e outras carnes.

 

Para quem não conhece, vale a pena conhecer. É uma oportunidade para ouvir o som de alguns sambistas bem legais de BH, mesmo porque o Estúdio B costuma variar bastante a agenda. Confira sempre aqui no Ocê no Samba quais são os sambistas que dão o tom na casa em dia de roda de samba, na seção “Pra onde eu vou?”. Se você já foi, dê o seu pitaco. Se não, vá conferir e deixe sua opinião depois de experimentar.

 

O endereço do Estúdio B é Avenida do Contorno, 3849, São Lucas.
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Chorões dão o tom no domingo do MHAB

O domingo no Museu Histórico Abílio Barreto será embalado pelo choro. O grupo Sarau Brasileiro se apresentará às 11h30 do dia 04 de outubro, na área externa do museu. No repertório uma mescla de ritmos que resgatam canções do início do século até os dias atuais. Além do choro, o grupo interpreta valsinhas, boleros, sambas e forrós.

 

 

O Sarau Brasileiro é composto por Hélio Pereira (bandolim e trombone), Magela (violão de sete cordas), Geraldo Alvarenga (violão) e Isaías (pandeiro), com participação especial de Dudu Braga (cavaquinho) e Cícero Gonzaga (acordeom). O grupo foi formado na década de 1980 e neste domingo  terá artistas de sucesso no repertório. Canções de Cartola, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Ari Barroso, Chico Buarque e outros.

 

 

A entrada para o show é gratuita. O Museu Histórico Abílio Barreto fica na Avenida Prudente de Morais, 202, no bairro Cidade Jardim. Outras informações pelo telefone (31)32778573.

 

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Samba mais circo é igual a show

Respeitável público! O fim-de-semana reserva um show digno dos melhores picadeiros belorizontinos. Ou seria das melhores rodas de samba? Bom, como sambista às vezes tem que fazer malabarismo para viver, nada mais justo que o circo também dê samba. E o público da capital mineira vai poder conferir se a mistura dá certo. Alunos do curso de eventos do Uni-BH idealizaram o espetáculo Circo Samba Show, que não será apresentado nem no picadeiro, nem na roda. O palco da festa será a Feira Tom Jobim, neste sábado, e vai agradar os bambas e os circenses. O evento vai reunir o grupo Circo de Todo Mundo, a banda Samba de Luiz e a cantora Doris.

 

A ideia de reunir esses dois deliciosos espetáculos no mesmo balaio surgiu como tarefa. Idealizadores da agência experimental Cult, sete colegas da Uni-BH criaram o Circo Samba Show como trabalho final do curso de eventos. Segundo Alessandra Cecílio Fonseca, uma das integrantes da Cult, a ideia vem sendo trabalhada desde o segundo período e a intenção é surpreender o público da capital mineira. “Nós queremos inovar, fazer uma coisa que as pessoas não estão esperando. Resolvemos misturar duas atrações tradicionais que as pessoas gostam”.

 

 

Na programação do evento, contudo, cada um fica na sua função. Sambista não vai voar em trapézio e artista circense não vai levar melodia no cavaquinho. O Circo de Todo Mundo comparece com os malabares, palhaços, pernas-de-pau e outras esquetes típicas. Já a Doris e o grupo Samba de Luiz chegam com um repertório diverso de sambas e muito ritmo. Além disso, o Circo Samba Show ainda vai oferecer outras atrações. Um casal de dançarinos vai se apresentar com danças de gafieira e um contador de histórias também vai dar uma palhinha no evento. “Não vamos deixar o público desanimar”, garante Alessandra.

 

 

A ideia tem tudo para dar certo, afinal samba e circo proporcionam um ótimo show, cada um ao seu estilo. Misturando, então, deve ficar ainda melhor. A Feira Tom Jobim vai de 11h às 17h, neste sábado, na rua Bernardo Monteiro, entre Av. Brasil e rua dos Otoni. O evento é gratuito. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 99982564 e outras atrações do samba em BH estão mais fáceis ainda. É só conferir o último posto do “Pra onde eu vou?”, a agenda do blog.

 

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Agenda de 29 de setembro a 4 de outubro

E a agenda do Ocê no Samba continua para os bambas belorizontinos… O destaque desta edição é o show da Elza Soares, na sexta, e o Circo Samba Show, no sábado. É bom lembrar que a agenda está em constante formação. Quem achar que faltou samba nessa roda é só enviar uma sugestão que a gente corre atrás.

 

TERÇA

- GUSTAVO MAGUÁ & BANDA
Local: Vinnil
Endereço: Rua dos Inconfidentes, 1.068 – Sobre Loja – Savassi
Horário: 22h
Valor: R$7
Informações: (31) 3261-7057

QUINTA

- Patuá (samba e choro)
Local: Reciclo 1
Endereço: Av.contorno, 10564
Horário: 22h
Valor: R$8 fem R$10 masc
Informações: 2535-0717

- Copo Lagoinha (samba)
Local: Utópica Marcenaria
Endereço: Av. Raja Gabáglia, 4700 – Santa Lúcia – BH
Horário: 23h
Valor: R$15 – As 150 primeiras mulheres até 23h pagam meia
Informações: – (31) 3296-2868

- BANDA ODILARA: SAMBA, MPB, SAMBA-ROCK.
Local: Vinnil
Endereço: Rua dos Inconfidentes, 1.068 – Sobre Loja – Savassi
Horário: 22h30
Valor: R$12 (masc) R$10 (fem)
Informações: (31) 3261-7057

- Camarão de Rama
Local: Butiquim Santo Antônio
Endereço: Rua Leopoldina, 415, Santo Antônio
Horário: 22h
Valor: R$12
Informações: 32973846

SEXTA

- Grupo Essência
Local: Bar Opção
Endereço: Rua Alabandina, 619 – Caiçara
Horário: 18h às 0h
Valor: R$7
Informações: (31) 3415-6905

- Odilara
Local: Butiquim Santo Antônio
Horário: 22h
Valor: R$12
Informações: 32973846

- Fidelidade Partidária
Local: Cartola Bar
Endereço: Rua Vila Rica, nº 1168 – Bairro Caiçara
Horário: 20h
Valor: R$12
Informações: (031) 34649778

- Elza Soares e Farofa Carioca
Local: Music Hall
Endereço: Av. do Contorno, 3239, em Santa Efigênia.
Horário: 22h
Valor: 1º lote R$15(meia) R$30(inteira)
Informações: (31) 3461-4000

- Projeto Saravá – Samba
Local: Estúdio B
Endereço: Av. do Contorno
Horário: 22h
Valor: Mulheres R$ 12 Homens R$15
(ou consumo de $40 sem pagar portaria)
Informações: 32832393 ou 32251277

- Banda Blá Blá Blá
Local: Reciclo 2
Endereço: Rua da Bahia, 2164
Horário: 20h
Valor: R$8 fem R$10 masc
Informações: 3275-2568

- A Rede
Local: Sete Cumes
Endereço: Rua Alagoas ,1172 – Savassi
Horário: a partir de 20h30
Valor: R$8 (feminino) R$15 (masculino)
Informações: 9731-3356

- Odilara
Local: Butiquim Santo Antônio
Endereço: Rua Leopoldina, 415, Santo Antônio
Horário: 22h
Valor: R$15
Informações: 32973846

SÁBADO

- Samba Circo Show (Doris, Samba de Luiz e Circo de Todo Mundo)
Local: Feira Tom Jobim
Endereço: rua Bernardo Monteiro entre Av. Brasil e rua dos Otoni.
Horário: de 11h às 17h
Valor: gratuito
Informações: (31) 9998-2564

- Velha Guarda do Samba e Canjeiros
Local: Bar Opção
Endereço: Rua Alabandina, 619 – Caiçara
Horário: 18h às 0h
Valor: R$7
Informações: (31) 3415-6905

- Odilara
Local: Butiquim Santo Antônio
Endereço: Rua Leopoldina, 415, Santo Antônio
Horário: 22h
Valor: R$15
Informações: 32973846

- Feijoada Completa
Local: Revista Viva Acústico
Endereço: Rua Congonhas, 553 – Santo Antônio
Horário: 15h
Valor: R$12 (masc) R$10 (fem)
Informações: (31) 2555.1133 / 8436.6883

- Rabo de Saia
Local: Sete Cumes
Endereço: Rua Alagoas ,1172 – Savassi
Horário: a partir de 20h30
Valor: R$8 (feminino) R$15 (masculino)
Informações: 9731-3356

- Patuá (samba e choro)
Local: Reciclo 2
Endereço: Rua da Bahia, 2164
Horário: 18h
Valor: R$8 fem R$10 masc
Informações: 3275-2568

- Ronaldo Leon
Local: Cartola
Endereço: Rua Vila Rica, nº 1168, Caiçara – BH
Horário: 21h
Valor: R$12
Informações: (031) 34649778

- Monobloco (também rola Lulu Santos e O Rappa
Local:Alphaville – Lagoa dos Ingleses
Endereço: Rua Princesa Diana, 200 – Nova Lima
Preço: R$130 e R$65 (meia)
Informações: 32812250/35161111

- GRUPO ZÉ DA GUIOMAR: SAMBA & BOSSA!!!
Local: Vinnil
Endereço: Rua dos Inconfidentes, 1.068 – Sobre Loja – Savassi
Horário: 23h
Valor: R$15
Informações: (31) 3261-7057

- Concurso Rainha de Bateria da Gresmi Canto da Alvorada
Local: Adega Brigadeiro
Endereço:Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, nº 1401, Alípio de Melo
Horário: 20h30
Valor: R$2,50
Informações: (31) 8808 6259/9795 9932/9642 7218

DOMINGO

- Samba da Madrugada (samba de raiz)
Local: Ziriguidum
Horário: 2h (da madruga mesmo)
Valor: R$ 12 (homem) R$ 10 (mulher)
Informações: 31-8814-1523 / 8814-1525

Na Cadência do Samba (samba)
Local: Quintal Divina Luz
Endereço: rua Maria Aparecida, 375, bairro São Marcos – BH
Horário: 16h
Valor: R$7
Informações: – (31) 3296-2868

- Grupo “Cartola de Ouro” – choro e samba
Local: Cartola Cultura Bar
Horário: 19h
Valor: R$ 8
Informações: (031) 3464 – 9778

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Bem-Te-Vi escolhe seu Palácio da Liberdade

Exposição conta um pouco da história da Bem-Te-Vi

Exposição no Centro Cultural Padre Eustáquio conta saga da escola

Domingão, dia bonito para qualquer atividade. Inclusive apreciar um bom samba. Melhor ainda se for para ver a escolha de mais um samba-enredo do Carnaval 2010 de nossa capital. A vez de escolher o tema musical na busca do título do ano que vem foi da Escola Bem-Te-Vi, do bairro Carlos Prates.

A festa estava preparada, com a exposição das alegorias e história de carnavais passados embelezando o Centro Cultural do bairro Padre Eustáquio. Quando o concurso para escolha do samba da próxima folia estava perto de começar, acontece um imprevisto: dos seis inscritos, somente dois apresentaram-se para o concurso. Os outros quatro simplesmente não estiverem na disputa.

Como todo bom samba tem de continuar, os integrantes da escola resolveram manter a disputa. O vencedor foi a música “Palácio da Liberdade” de Nonato do Samba, Carmo Antunes e Paulinho Carvalho. Nonato, que cantou a melodia com a letra escrita a mão, disse que estava vindo do Rio e não havia dado tempo para digitar. Ele justificou de forma bem humorada: “Foi uma correria. Pelo menos eu sabia tudo de cabeça e consegui agradar os jurados”, disse com um sorriso vencedor. O jeitinho brasileiro prevaleceu neste concurso da maior festa de momo de Belo Horizonte. Confira a letra do samba-enredo vencedor.

NO BAILAR DO TEMPO A BEM-TE-VI VEM MOSTRAR
HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DE UM TEMPLO SECULAR
PALÁCIO DA LIBERDADE DO SONHO A REALIDADE

AUTORES _ NONATO / CARMO

Reluz
No teu cenário um belo cartão postal
Seduz e nos inspira
És poesia a contemplar
É palco de poder de luta e decisão
Política da nossa história
Orgulho nacional
Hoje é enredo do meu carnaval

É no bailar do tempo como cata vento
Lembranças e histórias imortais
Sonho de liberdade virou realidade
Guardião da nossa paz

E voa…
Voa Bem-Te- Vi
Na cor da paz
E da esperança
Pousa no jardim trazendo ao povo confiança
Liberte seu coração
Mantendo acesa
Nossa tradição

Nas asas da liberdade … vou voar
Com meu Bem-Te-Vi cantando… exaltar
Quem te conhece não esquece jamais
Palácio da Liberdade patrimônio das Gerais

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Palmas e brinde para a peça Chico Rosa

No fim-de-semana troquei a roda de samba pela cadeira do teatro. Não abandonei os meus desengonçados passos de dança, tanto que emendei a minha noite no Reciclo, mas comecei o sábado sentadinho e comportado, sob a trilha de dois mestres não só do samba, como de toda MPB. Assisti pela primeira vez a peça Chico Rosa, de autoria e direção de Jair Raso, a quem tive o prazer de conhecer. A peça fala de um hipotético encontro entre o mestre Chico Buarque e o também genial Noel Rosa em uma mesa de boteco. A conversa é entremeada por obras-primas dos dois compositores que, apesar de não terem sido contemporâneos, certamente teriam mesmo muita sintonia se vivessem no mesmo tempo. O texto do Jair capta a essência da personalidade dos dois músicos e leva o público a dois extremos, das gargalhadas às lágrimas.

Não é exagero. As piadinhas que trocam Noel e Chico durante o espetáculo tem como inspiração o modo de ser dos dois compositores, as letras das músicas e, por sinal, são muito bem boladas. Mas de uma risada exagerada qualquer espectador poderia ser tomado pela emoção num só instante. Os atores Luiz Rocha e Daniel Maia interpretaram com maestria e sensibilidade os clássicos de Noel e Chico e, nas músicas mais sentimentais, deixaram todos na sala do teatro emocionados. Eu que o diga, pois após a execução de “Mulheres de Atenas”, por exemplo, fiquei arrepiado. Quando me virei para o lado para comentar meu arrepio, qual não foi minha surpresa ao ver que a minha acompanhante se esbaldava em lágrimas. Não a culpo. Foi mesmo lindo.

Minha única ressalva quanto a peça é o fato de que ela inspira a vontade do botequim. O cenário do barzinho parece tão aconchegante que dá vontade de beber ao lado de Chico e Noel (ou Luiz e Daniel mesmo) e pedir palhinhas a noite inteira. O fato de o público não poder dividir uma geladinha, porém, não impediu que todos fizessem suas interpretações próprias. Muito respeitosa, a plateia não abafou a voz dos atores durante as canções, mas em certas ocasiões era possível ouvir um coro em uníssono de alguns sucessos dos dois grandes sambistas. Todos cantavam juntos bem baixinho e ajudavam a deixar uma peça já muito boa ainda mais charmosa.

Quem não teve a oportunidade de conferir a peça Chico Rosa pode conhecer um pouco mais sobre o trabalho do grupo Cara de Palco, que organiza o espetáculo, e do diretor Jair Raso. E aguardar uma nova edição. Afinal, já que Noel não pode ressucitar para fazer esse excelente dueto, a peça atiça a imaginação dos fãs dos músicos. Pois se com dois atores interpretando as duas lendas da MPB já é excelente, certamente seria o maior espetáculo da música brasileira se Noel e Chico pudessem realmente se encontrar.

Guilherme Brasil

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Aula de história da música ao som do Capim

A semana começa com discussões sobre a música brasileira em Belo Horizonte. A Fundação Nacional de Artes (Funarte) promove entre os dias 28 e 30 uma aula sobre a construção social e cultural da música brasileira do final do século XIX até a primeira metade do século XX. A frente do debate estará o professor José Geraldo Vinci de Moraes, da USP. A discussão faz parte de do projeto Arte em Foco, da Funarte, que até o dia 25 de novembro vai realizar ciclos de palestras e intervenções artísticas com professores, pesquisadores, produtores culturais e o público. O objetivo é democratizar o acesso à cultura ao ampliar as discussões sobre temas culturais levantados na academia.

O grupo Capim Seco dá o tom do debate. No dia 28, o conjunto se apresenta às 21h, na Funarte, com um repertório um tanto diferente daquele que os belorizontinos estão acostumados nas casas de samba. Eles fazem uma apresentação de músicas que compreendem o período que será debatido. Michele Andreazzi, a vocalista do Capim, prometeu que será uma boa oportunidade para assistir a banda com uma roupagem diferente. Quem já os viu interpretar sambas sabe que eles são excelentes e vão dar um belo show, seja qual for o estilo.

A Funarte MG fica na Rua Januária, 68, bairro Floresta, em Belo Horizonte. O curso acontece sempre de 19h às 21h e as inscrições são gratuitas. Os interessados em participar devem enviar nome completo, telefone e breve currículo para funartemg@funarte.gov.br. Outras informações pelo telefone (31)32137112.

 

 

 

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Festa, presença ilustre e um adeus

Noite de ótimo samba, participações especiais, festa de aniversário e uma despedida. O Studio B recebeu mais um bom show do Capim seco que contou com a participação especialíssima de Janaína Moreno, interprete da mais alta estirpe que anda viajando pelo Brasil para divulgar seu trabalho. Com casa lotada, gravação da MTV e animação total, houve tempo para dois momentos distintos: a comemoração do aniversário da vocalista Michele Andreazzi, do Capim Seco, completando 27 primaveras com direito a coro no “parabéns para você”. Em meio a tantas alegrias, o Capim anunciou a saída de seu saxofonista Fabrício Santiago, após três anos na estrada com a banda. Ele explicou o motivo da saída.
“Eu estou no capim desde o começo. Ia nos shows e já conhecia todos. Achava do caralho mesmo. A saída é para tocar novos projetos. Hoje estou com várias coisas em paralelo, daí é melhor para a banda que tenha alguém que se dedique integralmente”. Fabrício disse que saiu mas não deixará a música de forma alguma.
“Não posso deixar de lado a música. Foram cinco anos de escola de música no Palácio das Artes. Se eu largar até passo mal”- completou.
A nova formação do Capim ainda não está resolvida. Em breve, a banda irá revelar o substituto de Fabrício.
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